Este é o meu espaço... e o de tod@s aquel@s... Que as suas as vidas são movidas por desafios! Que acreditam que um mundo melhor é possível! Que acreditam em UTOPIAS... por isso vamos UTOPIAR!

.posts recentes

. Autarquia promove Camp...

. Já tens a tua Agenda 2010...

. 20 de Março de 2010- Vamo...

. Yike Bike...

. BIBLIOTECA DIGITAL GRATUI...

. Filósofo Lipovetsky defen...

. O hipnotizador

. Jardim Botânico de Coimbr...

. Os dez mandamentos para e...

. Hoje comemora-se o Dia Na...

.arquivos

. Junho 2010

. Janeiro 2010

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Outubro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

A Linguagem como património

O que são provérbios?

  • Saberes do povo
  • Cultura popular
  • Ditado
  • Sentença moral
  • Máxima,...

 

Exemplos de provérbios:

 

Agricultura

  1. A aveia quer ver o lavrador voltar para casa.
  2. A azeitona e a fortuna: às vezes, muita; às vezes, nenhuma.
  3. A lavrador descuidado, os ratos (lhe) comem o semeado.
  4. A lavrador preguiçoso, levam os ratos o precioso.
  5. Ano de ameixas, ano de queixas.
  6. Ano de lavrador, não é de pescador.
  7. Boa ferramenta trabalha o agricultor.
  8. Cada um colhe o que semeia.
  9. Campo fraco, lavrador forte.
  10. Colheitas de ano bissexto cabem todas num cesto.
  11. Cordeirinho manso, mama na mãe e na alheia.
  12. Da cereja à castanha vem me amanho. Da castanha à cereja é que me vejo.
  13. Em maré de Lua cheia não cortes pau nem aveia.
  14. Mais faz o ano que o campo bem lavrado.
  15. Mais vale lavrar o que é nosso ao longe, do que é alheio ao perto.
  16. Não há boa terra, sem bom lavrador.
  17. Nem sempre a boa semente cai em terreno fértil.
  18. Páscoa em Março, é fome ou mortaço.
  19. Pelo Natal, bico de pardal. Pelo Entrudo, alho cabeçudo.
  20. Quando não o dão os campos, não o dão os santos.
  21. Se a trovoada vem do lado do mar, põe o gado a lavrar. Se vem do lado da terra, põe tudo em terra.

 

Estado do Tempo/Meteorologia/Estações do Ano

22.   A água de nevão dá pão; a de trovão, em parte dá, em parte não.

23.   A chover e a fazer sol estão as bruxas no farol.  

24.   A desgraça de Portugal, dá-lhe três cheias antes de Natal.

  1. A invernia de Março e a seca de Abril põe o lavrador a pedir.

26.   A Inverno chuvoso, Verão abundoso.

27.   A ti, chova todo o ano e a mim, chova em Abril e Maio.

28.   Água de trovão, em partes dá, em partes não.

  1. Água leva o vento.

30.   Ano de cheia, arca cheia.

31.   Ano de geão, ano de pão.

32.   Ano de muita chuva, muita casca, pouco grão.

33.   Ano de muita chuva, muita casca, pouco pão.

34.   Ano de muita chuva, muita parra, pouca uva.

  1. Ano de neves, ano de bens.

36.   Ano ventoso, ano formoso.

37.   Após a tempestade vem a bonança.

38.   As águas da Ascensão, das palhinhas fazem grão.

39.   Bom tempo no Inverno e mau no Estio, mau ano de fome, bom ano de frio.

40.   Calor de Outono mata gente.  

41.   De Inverno ou de Verão, não deixes o teu gabão.

42.   Deixa chover, a água é o sangue da terra.

  1. Em Abril, águas de mil.
  2. Em Abril, queimas o carro e o carril. Em Maio o que sobrou, a velha o queimou.
  3. Em Fevereiro, morreu a velha ao solheiro.
  4. Está a pingar, está a chover, é casamento de viúva.
  5. Folhas a cair, está o inverno para vir.
  6. Gaivotas em terra, tempestade no mar.
  7. Lua nova trovojada, 30 dias é molhada.
  8. Março, morcegão de manhã Inverno, à tarde Verão.
  9. Minhoca à vista, está a chuva para vir.
  10. Névoa roxa para o mar, carrega o burro e põe-te a andar. Névoa roxa para a serra, chuva na terra.
  11. Se chover na hora da missa, temos chuva para toda a semana.

 

 

Comportamentos sociais

  1. A brincar, a brincar, o macaco enganou a mãe.
  2. A descer, todos os santos ajudam.
  3. A galinha da minha vizinha é sempre melhor que a minha.
  4. A gente não é aquilo que queríamos ser. É o que nos querem fazer.
  5. A melhor semente é a da língua.
  6. Água mole em pedra dura, tanto bate, até que fura.
  7. Amigo, não empata amigo.
  8. Amor, com amor se paga.
  9. Andar devagar para chegar depressa.
  10. Ao almoço me dão pêras, à tarde pêras me dão. À merenda pão e pêras e à ceia pêras e pão.
  11. Aos quarenta, ou vai ou rebenta.
  12. As palavras são como as cerejas, vão umas e vêm outras.
  13. Boa ferramenta ajuda o trabalhador.
  14. Bom trabalhador, não escolhe ferramenta.
  15. Calças brancas em Janeiro, é sinal de pouco dinheiro.
  16. Cão que ladra, não morde.
  17. Casa de ferreiro, espeto de pau.
  18. Cautela e caldos de galinha, nunca fizeram mal a ninguém.
  19. Cautela e canja de galinha nunca fez mal a ninguém.
  20. Com ferros matas, com ferros morres.
  21. Comer laranja de manhã é ouro, à tarde é prata e à noite mata.
  22. De pequenino, se torce o pepino.
  23. Depois da casa roubada, trancas à porta.
  24. Depois da noiva casada, há muito pretendentes.
  25. Deus dá nozes a quem não tem dentes.
  26. Deus escreve direito, por linhas tortas.
  27. Devagar se vai ao longe.
  28. Devagar, devagarinho, se vai ao longe.
  29. Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.
  30. Estás na horta e não vês as couves.
  31. Fernando, Fernandinho vai ao vinho, quebrou o copo no caminho. Ai copo, ai vinho. Ai do cú do Fernandinho.
  32. Filho és, pai serás. Assim, o fizeres, assim o acharás.
  33. Grão a grão, enche a galinha o papo.
  34. Ladrão que rouba ladrão, tem cem anos de perdão.
  35. Mais vale andar, do que estar parado.
  36. Mais vale perder um minuto na vida, do que a vida num minuto.
  37. Mais vale sê-lo, do que parecê-lo.
  38. Mais vale um bom mandador, do que um bom trabalhador.
  39. Mais vale um bom trabalhador, do que um bom mandador.
  40. Mais vale um pássaro na mão, do que dois a voar.
  41. Menina faz por ser boa, que a tua voz ao longe entoa, vais mais depressa a má que a boa.
  42. Menina honrada, não tem ouvidos.
  43. Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje.
  44. Não dês um passo maior que a perna.
  45. Não te rias do vizinho, que o mal vem pelo caminho.
  46. Não tires pedras ao vizinho, que o mal vem a caminho.

100. O mar largo, o mar largo, o mar largo sem ter fundo. Mais vale andar no mar largo do que nas bocas do mundo.

        101. Ó meu amor não vás longe, que amanhã também é dia e eu vou na tua companhia.

        102. Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço.

        103. Onde há fumo, há fogo.

        104. Para teres um carro, primeiro precisas da garagem.

        105. Prego em cima de prego, não prega.

        106. Quando se arranja uma panela, arranja-se o testo para ela.

        107. Quanto mais chora, menos mija.

        108. Quem anda à chuva, molha-se.

        109. Quem anda à chuva, molha-se.

        110. Quem aos vinte não é, aos trinta não tem, aos quarenta não é ninguém.

        111. Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado vem.

        112. Quem canta seus males espanta.

        113. Quem come castanhas, rebentam-lhe na boca.

        114. Quem de carneiro não vai, de carneiro não passa.

        115. Quem desdenha, quer comprar.

        116. Quem feio ama, bonito lhe parece.

        117. Quem muito fala, pouco acerta.

        118. Quem muito fala, pouco aprende.

        119. Quem não faz em novo, em velho não vai lá.

        120. Quem não morre de novo, de velho não escapa.

        121. Quem quer vai, quem não quer manda.

        122. Quem quer vai, quem não quer manda.

        123. Quem sai aos seus não degenera.

        124. Quem semeia ventos, colhe tempestades.

        125. Quem tem muito riso, tem pouco friso.

        126. Quem tem muito riso, tem pouco juízo.

        127. Quem tem telhas de vidro não deve cuspir para o ar.

        128. Quem tem tenhas de vidras, não pode atirar pedras para o ar.

        129. Quem tudo quer, tudo perde.

        130. Quem vai à guerra, dá e leva.

        131. Quem vai ao ar, perdeu o lugar.

        132. Quem vai ao mar, avia-se em terra.

        133. Santos à porta, não fazem milagres.

        134. Se precisam da minha ajuda, não me incomodem.

        135. Tal pai, tal filho.

        136. Tantas vezes vai o cântaro à fonte, que algum dia lhe fica a asa.

        137. Vozes de burro, não chegam ao céu.

 

 

O resultado da minha sessão de formação desta manhã, com um grupo de Águeda.

Entusiasmo qb

sinto-me:
tags:

publicado por DesafiarTe às 16:39

link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

A árvore das patacas somos nós

 

Um quilo de flor de sal de Castro Marim vale actualmente mais de 45 dólares no mercado gourmet norte-americano. Parece surpreendente. O empresário que consegue esta proeza não beneficia de nenhum PIN! E, contudo, com um produto assim rústico e tradicional, consegue gerar um enorme valor - muito acima daquele que se consegue com o boçal e repetitivo produto igual em toda a parte.

O caso parece extraordinário mas o mais extraordinário é que não o é. O país tem um enorme potencial para produtos de qualidade capazes de induzir desenvolvimento e riqueza, de incorporar tecnologia e de projectar internacionalmente as empresas que neles apostam. E não é só a flor de sal de Castro Marim, ou o clássico vinho do Porto, ou as conservas célebres e raras como as da Tricana, ou os azeites excelentes... Apesar dos ICEP (e API ...) todos que tem havido, muitos produtos há que se encontram numa espécie de limbo comercial: a sua excelência é reconhecida, mas não conseguiram aparecer fora do esconderijo onde vivem. Porquê?

Particularmente no plano alimentar, Portugal tem recursos fantásticos infelizmente malbaratados por gerações sucessivas. Basta ver a espantosa oferta sobretudo italiana e francesa, e também alguma espanhola, para perceber que qualquer coisa neste país anda enganada.

Há um sector então onde tudo parece ainda mais especial: o dos chamados produtos biológicos. Portugal tem condições óptimas para estes produtos - que, além de objectivamente excelentes, têm ainda uma condição comercial muito favorável. Em plena crise, a procura deste produtos não só não diminuiu, como continua a justificar a abertura de mais pontos de venda um pouco por todo o país.

Para mais, segundo um relatório internacional, ao nível do mercado mundial continua a existir uma procura muito superior à oferta. Acresce que em vários países europeus, com destaque para a Itália, há uma aposta crescente neste tipo de consumos: desde as cantinas escolares e hospitalares, aos agro-turismos que são cada vez mais procurados.

A agricultura biológica que se estende à pecuária e à agro-indústria, tem, como se sabe, inúmeras vantagens ambientais e nutricionais. Produz sem recurso a pesticidas químicos, usa adubos naturais, e dela resultam produtos muito mais saborosos e duradouros.

E é nisto então que o país aposta em força e com coragem? Não. Uma velha sensibilidade bronca que gerações sucessivas de responsáveis vêm herdando e transmitindo desde os tempos heróicos das campanhas do trigo, não consegue deixar de rir com descrédito destas coisas que considera pueris e ilusórias, quando afinal são elas que permitem colher patacas de árvores.

A agricultura industrialista gosta de produções musculadas. Contudo (sobretudo num país como Portugal), o negócio está cada vez mais nas agriculturas cuidadosas e subtis, quase artísticas. Produtora de excelência, a agricultura biológica beneficia o ambiente, o consumidor, o empresário e ainda outros sectores.

Se, além disso, for transmitida a ideia de que a excelência destes produtos oferece uma experiência superlativa quando consumidos no local de produção, teremos ainda um movimento de cultura local e de turismo de excelência.

E perante isto, que empenhos movemos nós? Prédios e apartamentos encavalitados com vista para o mar, para onde fazemos desaguar os esgotos de todas aquelas casas numa cacafonia urbanística que nos não distingue de todos os outros sítios!

Recorde-se que, onde hoje se produz a preciosa flor de sal de Castro Marim, estava para ser construída uma mega-ETAR ao serviço das retretes das vastas urbanizações de Monte Gordo.

Impõe-se uma mudança de paradigma como agora tanto se diz também. As produções bio que acrescem em valor à excelência natural dos produtos tradicionais são verdadeiramente as patacas das árvores que temos. E tudo isto pensando apenas no produto natural e fresco. Se lhe acrescentarmos a transformação (conservas, caldas, doces, fumados) e ligarmos tudo isto aos recursos naturais e à paisagem - imagine-se o potencial de riqueza que temos.

Foi isso que o 'velho' Porter nos veio dizer há anos e, mesmo assim, não parámos de destruir as condições ambientais necessárias à nossa boa árvore das patacas.

Os espanhóis já perceberam isto, tanto que a ministra da Agricultura de Espanha esteve há pouco tempo em Portugal para assinar uma Carta Ibérica das produções biológicas que, para eles, constituem um grande horizonte de esperança e investimento.

Por cá ao facto foi dada tanta importância, que o nosso ministro da Agricultura, tão hábil a mobilizar os media, não se dignou considerá-lo notícia.

O país não tem que se queixar da sorte e do destino. O que tem à mão é precioso. A riqueza em Portugal consiste antes de mais em não estragá-la.

Não há zonas livres...

Passados dois anos da publicação da portaria que permite às autarquias e regiões declararem-se livres de OGM, ou seja, interditarem o cultivo de organismos geneticamente modificados, Portugal tem apenas uma: o município de Lagos. A portaria está de tal modo armadilhada que torna quase inviável a existência destas zonas.

Começa por exigir que haja um mínimo de 3 mil hectares de exploração agrícola contínua por acordo entre todos os agricultores. Depois, os municípios que pretendem ser livres de OGM têm de obter a aprovação da proposta em Assembleia Municipal por maioria de dois terços; mas basta que um único agricultor da zona não queira participar nesta classificação, para todo o processo se gorar. Há qualquer coisa de transgénico nesta legislação... A portaria que, em princípio, viria regular as zonas livres; na prática veio bloqueá-las. Era mais rápido dizer que são proibidas!

Acresce que o princípio secretista em Portugal continua tão fundo que é impossível saber onde ficam todas as explorações de OGM. Isto apesar do Ministério da Agricultura estar obrigado por lei a publicar esta informação online e ter já dois pareceres da Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos a considerar que a informação deveria ser imediatamente disponibilizada. Um país como o nosso, que deveria apostar em nichos de produção de excelência, tem muito pouco interesse em apoiar os 'interesses' da indústria das plantas geneticamente modificadas.

Cimento ou alimento?

Com uma dependência alimentar externa cada vez maior - por exemplo, mais de 85% dos cereais e leguminosas que consumimos são importados - a nossa Reserva Agrícola Nacional (RAN) deveria ser escrupulosamente acautelada, quanto mais não seja por uma questão de segurança estratégica.

Os nossos solos classificados como 'muito férteis' já correspondem apenas a 4,5% da superfície cultivável e somos o país da UE com maior percentagem de solos férteis impermeabilizados por construções de vária ordem. Apesar disto, o processo continua justamente sobre os nossos solos de melhor qualidade: as grandes plataformas logísticas, desde a de Castanheira de Pêra à da Trofa - estão a ser construídas nos tais 4,5% de solos muito férteis. Tal como a futura cidade aeroportuária também se projecta para cima de uma das melhores zonas hortícolas do país.

Esta fúria de destruição das reservas agrícolas tornou-se tão insistente e regular que o próprio Ministério da Agricultura criou a dada altura um gabinete de... "Desanexação da RAN"! É bizarro ver um Ministério da Agricultura tão zelosamente anti-agrícola...

Ministério anti-agricultura

O sentido antiagrícola do Ministério da Agricultura não se fica pelos solos... As importantes medidas agro-ambientais que a UE promove e generosamente nos financia, têm sido manhosamente desincentivadas e até impedidas pelo próprio Ministério da Agricultura que as gere e deveria promover. Também aqui era mais rápido dizer que são proibidas. O pacote de medidas agro-ambientais, que é da maior importância para a excelência das produções e das suas respectivas condições naturais, tem vindo a ser drasticamente mutilado e asfixiado. Por exemplo, em Planos Zonais como o de Castro Verde, o prémio médio por hectare passou de cerca de 80 euros, em 1997, para metade no início dos anos 2000 e agora para um quarto. Além deste claro desincentivo que deixa de compensar o agricultor, o dispositivo regulamentar e burocrático para aceder às medidas, chega a ser grotesco de tão complicado e até impossível de satisfazer para um agricultor médio que não possa contratar uma empresa.

Acresce que as medidas acabam por beneficiar sobretudo os proprietários com maior capacidade de investimento, dado que os apoios são apenas pagos no ano seguinte. Tudo isto será incompetência ministerial? Não. Parece má fé. É que os fundos europeus destinados às agro-ambientais, se não forem gastos, podem ser aplicados a outros fins e o Ministério da Agricultura encontrou neles uma espécie de expediente de caixa. Quanto mais não seja por uma questão de dignidade, neste ano de eleições europeias, o fenómeno deveria ser fiscalizado.

Podemos dizer que a UE está a ser burlada nas suas intenções por uma conduta matreira do Ministério da Agricultura. Para não falar nos danos que esta 'despolítica' está a trazer a um país onde as agro-ambientais deveriam ser agarradas com as duas mãos.

Luísa Schmidt

Expresso  Domingo, 1 de Fev de 2009

sinto-me:

publicado por DesafiarTe às 16:01

link do post | comentar | favorito

Domingo, 1 de Fevereiro de 2009

Fórum Social: Boaventura Sousa Santos defende «a reinvenção do Estado» como resposta às crises

 

"O Fórum Social (FSM) foi uma resposta ao Fórum Económico Mundial não só para produzir um diagnóstico alternativo porque nos antecipamos às nossas crises que hoje temos no mundo, mas também para propor uma terapêutica alternativa", afirmou à Lusa Boaventura Sousa Santos, ao destacar que esta edição centralizada do FSM na Amazónia ocorre num momento de que não há memória na crise do capitalismo.

A actual conjuntura mostra que o FSM "tinha razão", afirma o director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, em Portugal, que apela a que as soluções que saiam do evento sejam conhecidas em todo o mundo.

Entre a prioridade "total" que deve ser dada às energias renováveis e à agricultura familiar e o "não" radical ao agrocombustível, o sociólogo português defende «a reinvenção do Estado» nos moldes de uma democracia participativa.

"Se o Estado vai ter um controlo maior sobre a democracia tem de haver uma democracia económica", sugeriu.

 

O Fórum Económico, salienta, "ao contrário do que defendeu antes, hoje defende que o papel do Estado é muito importante". O Estado deixou de ser um problema e agora é uma solução, argumenta. "Mas para nós tem de ser um Estado totalmente reinventado."

Boaventura faz críticas a actuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social do Brasil (BNDES), o segundo maior banco de investimentos do mundo, ao destacar que funciona numa lógica direcionada ao agronegócio e ao neoliberalismo.

Ele propõe, assim, a criação de um conselho nacional de investimentos públicos que envolva a participação de cidadãos e movimentos da sociedade no controlo social. "Isto é um exemplo de uma democracia económica que precisamos criar."

Neste contexto de crise global, o especialista realça que a actuação de movimentos de trabalhadores rurais sem-terra como o MST e a reforma agrária voltam à agenda de discussões.

 

Segundo ele, "a única agricultura que mata a fome é a agricultura familiar". O agronegócio e a grande monocultura, comenta, "não resolvem o problema, pelo contrário, produzem fome".

Além disso, este modelo de agricultura familiar, sugere, é capaz de evitar o êxodo para as cidades que estão a se tornar "invivíveis, inabitáveis" e mantém também o equilíbrio ambiental que garante a soberania alimentar.

Boaventura Sousa Santos defende ainda a adopção de sistemas económicos que se pautem nas concepções indígenas, o viver em harmonia com a natureza.

"É preciso uma outra visão da natureza como recurso humano e não como recurso natural". Para o especialista, a questão indígena é central nas discussões sobre desenvolvimento, pois "interessam ao mundo".

"A questão indígena e ambiental vão ser fundamentais como questões globais para um novo modelo, e é isso que o Fórum Económico se recusa a ver. Ele continua a pensar que os indígenas são atraso, obstáculos ao desenvolvimento", questiona.

Para ele, uma das grandes oposições ao Fórum Económico é que a solução deve estar voltada na forma de "viver bem dos quéchuas e não na China. Se os chineses consumissem no mesmo padrão que os europeus e que a América do Norte, precisaremos de três planetas para garantir a sustentabilidade de um único".

A isto considera ser uma "solução suicida", pois, segundo Boaventura Sousa Santos, todo o desenvolvimento continua a ser pensado na base do crescimento.

 

Fonte: Lusa

sinto-me:
tags:

publicado por DesafiarTe às 14:36

link do post | comentar | favorito

.DesafiarTE

.pesquisar

 

.Junho 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30


.tags

. todas as tags

.links

.Fazer olhinhos

blogs SAPO

.subscrever feeds